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Publicações – maio de 2026

  1. Ditadura da burguesia

    Há uns meses o Coletivo Ruptura referenciou um texto que penso entender melhor o que era suposto ter tirado dele (embora talvez o deva ler outra vez).

    Parece ser complicado dizer que uma “ditadura/autocracia” é tipo uma “democracia” e fácil mostrar e ver como estas democracias são uma ditadura — uma ditadura de uma só classe.

    Estudar a história política das correntes revolucionárias é estudar a influência das ideologias vindas da práxis da época, o seu uso pela classe dominante e a sua influência no resto das classes.

    Pois, como escrevem Marx e Engels, em A Ideologia Alemã, as ideias da classe dominante são, em todas as épocas, as ideias dominantes, ou seja, a classe que é o poder material dominante da sociedade é, ao mesmo tempo, o seu poder espiritual dominante.

    No exemplo do Irão, petromonarquia, existe uma centralização e um capitalismo de Estado fortalecida pela monarquia Pahlavi, pela revolução de 1979 e pelo conflito com o Iraque nos anos posteriores, que criaram também a “identidade nacional” iraniana. Esta centralização protegeu no final do séc. XIX da influência do imperialismo britânico e russo, mas também os movimentos separatistas de algumas minorias étnicas. A revolta de 1979 reorganizou a classe dominante nesta burguesia clerical que arranjou a república com termos religiosos. Existe polaridade de centros de poder: o Wilāyat al-Faqīh, tutela do jurista, líder supremo, que garante o “governo islâmico” — com raízes no debate político persa do séc. XVIII contra a legitimidade dos califados sunitas, hoje, sobre o 12.º imã, cujo próprio representa, “manto do profeta” e da “casa de Maomé” —; o gabinete do líder supremo; a guarda revolucionária; e o governo civil. Mas tudo defende os interesses da burguesia iraniana — embora existam conflitos entre frações dessa burguesia (e em todas as outras), e vê-se.

    Porque é uma ditadura da burguesia.

    Mesmo num sistema autoritário, os líderes não governam sozinhos, mas sim em conjunto com uma pluralidade de centros de poder e de redes de clientelismo elaboradas. Esses sistemas são expressão das circunstâncias históricas locais e operam em consonância com elas.

    Uma ditadura da burguesia, igual hás que temos na Europa democrática.

    O assassinato selvagem e infame de Liebknecht e Luxemburgo desmascara a democracia e o seu conteúdo imperialista. Não é possível existir uma democracia fora ou acima das classes, […] que na sociedade atual, enquanto os capitalistas conservarem a sua propriedade, a democracia possa ser algo diferente da democracia burguesa, isto é, da ditadura da burguesia, dissimulada sob falsas insígnias democráticas.1

    Por isso é que Francisco Martins Rodrigues fala da treta da superioridade democrática. Na altura tenho a sensação que discordei com algumas partes do texto, mas talvez porque entendi mal a mensagem. É óbvio que quando um Estado ataca outro com a retórica de que defendem a democracia, é balela, o motivo é outro. Até aí okay. Depois o que entendi é que ele era contra tratar “democracia” e “ditadura” como opostos, okay, mas também o falar mal do regime dos países “não democráticos estilo europeu”, not okay, mas como devia estar com sono e a ler na cama, apanhei a mensagem por aí, incorretamente. Claro que ia discordar, tem muito que criticar de qualquer regime burguês. Mas o que provavelmente ele queria transmitir é que é nocivo apenas falar mal dessas configurações da ditadura da burguesia, sem nunca falar mal das outras, incluindo a mais “democrática”. Porque o que depois acontece é que acabamos por dar legitimidade ao ataque pela falsa defesa da suposta “democracia” que iria servir a mesma forma de domínio de uma classe sobre a outra, e por isso nunca neutro, para não falar que esconde as diferenças e lutas de classes. A crítica não deve ser à configuração da ditadura da burguesia, mas à ditadura, à burguesia e à existência de classes, e aos Estados, e agir de modo a preparasse para quando chegar o momento de ser possível abolir a necessidade de dominação de classes — característica do capitalismo2 — fazê-lo.

    Footnotes

    1. https://www.marxists.org/archive/lenin/works/1919/jan/20.htm

    2. Não só.

  2. Procura-se jovens! Para defender os interesses do capital

    Até querem oferecer regalias! O exercito europeu está assim com tanta necessidade? [P]rograma “Defender Portugal; só não dizem quem é Portugal (é a burguesia). O reforço da ligação entre a sociedade civil e a Defesa Nacional, só que a sociedade civil é baseada em instituições burguesas nacionais e os seus interesses, e os cidadãos “contratados” para defender essas instituições e interesses são aqueles, oprimidos pelas mesmas.

    Mais algumas bombas:

    … esse programa seria também valorizado nos concursos de acesso às Forças Armadas, forças e serviços de segurança, órgãos de polícia e bombeiros profissionais.

    … recomendam ainda ao Governo que promova, no âmbito da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, o ensino do domínio da Defesa Nacional, incluindo conteúdos preparatórios do programa, a elaborar pelo Instituto da Defesa Nacional em colaboração com os ramos das Forças Armadas e os Ministérios competentes.

    Depois abro o TikTok. Uma demonstração de como a escola pública serve a classe dominante. Porque quer dizer, regular o acesso ao ensino superior, etc., e ao mesmo tempo fazer com que Defender Portugal seja mais atrativo, não pode ser coincidência, quando ainda por cima veio dos mesmos gajos. Estão a querer desviar a mão de obra para onde dá mais lucro ao Estado capitalista. Numa notícia de uns dias depois, acrescentam o aumento dos salários dos militares, e até admitem que o principal motivo justificativo da intenção de não-ingresso [nas Forças Armadas é] a intenção de darem continuidade do seu percurso escolar. São também os compromissos com a NATO.

    Era tão bom se eu soubesse que na prática nunca foram aplicadas coimas a quem faltasse sem justificação, porque quando a fiz no ano passado, fiz com a ideia de que não queria participar em nenhuma defesa nacional [ou] da República, e que trabalho para o derrotismo revolucionário face à UE e ao Estado português.

    Que bom que o “nosso” presi vem-nos salvar, que diz não querer que, em Portugal, os jovens sejam carne para canhão, mas a defesa do país não deixa de ser importante. Era tempo de paz na altura, hoje é crises da ordem.

    O PCP era contra o fim do SMO em tempo de paz é tão engraçado, com uma justificação bem podre de que não assegurassem efectivos suficientes nem representação plural da sociedade, já que a representação das forças armadas é o proletariado (digo quem não está no topo da hierarquia militar, prontos para morrer e matar quem se encontra na mesma situação), que agora a propósito do intensificar da guerra […] nós precisamos é de paz. Não precisamos de armamento, precisamos é de um caminho de desmantelamento da corrida armamentista. Antes não era carne para canhão?

    Com ou sem convocação, estado de exceção e lei marcial, está a ser uma década, esta.

  3. Abolir o trabalho

    O proletariado não tem nação.
    Luta de classes: revolução.

    Rearmamento e militarismo: esta é a Europa do capital, do europeísmo; um beco sem saída. Vamos unir os proletários de todo o mundo!

    Entre os trabalhadores, ninguém é estrangeiro.
    A nossa pátria é o mundo inteiro.

    Contra as guerras do capital: luta de classes internacional.

    Jovens — ucranianos e russos, árabes e israelitas, etc., etc. —, larguem as armas e deem as mãos.

    Contra a guerra: revolução.

    Partidos fraudulentos, servos dos patrões.
    Proletários em primeiro, sem distinções.

    Contra a opressão e o nacionalismo: luta de classes pelo comunismo.

    Imigrante ou cidadão, pelo proletariado: tirem as mãos dos assalariados.

    Raça, nação, religião: tudo falsa distinção.


    3 de junho tem greve geral. É para reivindicar muito mais do que aquilo que a CGTP-IN reivindica.