O sistema atual vive da pobreza das pessoas. Se não empregam pessoas
suficientes, é porque lhes dá jeito: ao invés de aumentarem salários ou
melhorarem o horário do trabalhador, despedem-no e trocam-no por outra pessoa
que vai ficar na mesma ou numa pior situação que o antigo. E para não falar que
fora do trabalho “formal”, empregados e desempregados estão sempre a fazer
trabalho não pago, especialmente as mulheres. Por exemplo, quando cozinhas algo
em casa, não recebes um salário por isso, mas tens noção de que pessoas são
pagas para fazer aquilo que acabaste de fazer. Limpar e arrumar a casa,
conduzir, ir às compras, …, é tudo trabalho não pago. Os empregos que os ricos
criam servem para eles ficarem com a maior parte do dinheiro que o trabalhador o
produz. O capitalismo sistematicamente não dá direito ao trabalhador de
ter uma vida
melhor, ter certas regalias, por exemplo, poder ir de férias, comprar um livro,
ir aos teatros, a um restaurante
. As pessoas trabalham para não faltar
dinheiro — que no final falta — e não viver na pobreza — que não é garantido,
mesmo trabalhando. Não é
motivação
nos trabalhadores
que o
crescimento
económico
traz: é coerção disfarçada de
dinheiro
e
trabalhar
.
O que Humberto Correia quer e não sabe é que os trabalhadores controlem a
riqueza que criam para conseguir ter todas aquelas regalias que mencionou.
Um presidente que toma partido pelos trabalhadores deixa de representar todos
os portugueses?
A resposta tem que ser sim.
Não é
possível agradar a todos
.
Vieira, […], está a rir-se do sistema, ou dos eleitores?
Espero que seja do sistema, e dos eleitores que juram que é a partir dele que os
trabalhadores perdem as suas cadeias. Pela resposta, é do sistema.
Sobre a NATO.
Não importa a nacionalidade de quem lidera a NATO; a NATO vai continuar a ter a
mesma finalidade. Tem que ser quem então a liderar?
O Reino Unido ou a França?
Existem imperialismos bons e outros maus?
Após um convite para a manifestação para o
“fim à agressão militar dos EUA contra a Venezuela”,
à frente de uma estátua de Simón Bolívar, Humberto Correia faz o seu discurso
nacionalista:
era um
português navegador, João Vaz Corte-Real
, um fidalgo.
Isso foi uma
injustiça, e um crime, o que fizeram. Eles trocaram a estátua de um português
que descobriu […] o norte da América
— como se já não existissem pessoas
lá a viver —,
e puseram em
1978, no lugar dessa estátua, a estátua de Simón Bolívar, que não tem nada a ver
com a nação portuguesa e a história de Portugal, é um crime.
Depois responde à pergunta sobre a NATO.
Correia:
Portugal não
pode sair nem da NATO, nem da UE.
Moderadora:
Como é que
fica a NATO se Trump intervir na Gronelândia?
Correia: A
Europa tem que se unir. Isso não pode acontecer.
Vieira reconhece que o imperialismo dos EUA, hoje foi ali, amanhã
“porque não
os Açores”?
, Mas por causa disso, credibiliza a NATO e o rearmamento:
Portugal tem
que estar na NATO, mas Portugal tem que ser preparar em termos militares…
Correia adiciona ao que já disse:
O povo
português não precisa de guerras. Já tivemos as nossas e nas últimas ninguém nos
ajudou
. Tipo, ele queria ajuda para o colonialismo?
Quanto menos
investirmos em armamento, melhor
Vieira perdeu a oportunidade de mencionar
a Princesa Sissi.
Vieira chama à atenção de como os media estão do lado dos capitalistas, e do seu
papel em puxar retóricas contra pessoas que no fim dá credibilidade aos partidos
do capital, e que muitos deles, além disso, também são sexistas, racistas,
xenófobos.
Portugal precisa ou não de imigrantes?
Os capitalistas, como o estado, precisam de trabalhadores, não importa a
estatuto da cidadania.
Separar trabalhadores por “trabalhadores” e “trabalhadores imigrantes”, separa
os trabalhadores. Essa separação por rótulos é o que inibe depois quem está no
poder pegar nos oprimidos (para além da opressão da classe) e torná-los na razão
do problema dos outros trabalhadores “normais”, tornando menos claro quem são os
reais causadores do problema. Se um dia já não houver imigrantes sem
documentação, vão ser os negros, os “gays”, os não católicos,
os ciganos, …
É por isso que um antigo migrante como Humberto Correia diz que
Portugal não
pode viver sem imigração […], mas, ao mesmo tempo, o povo português não pode
ser absorvido pela imigração
, seja lá o que significa absorver aqui.
A partir do momento em que se é eleito presidente da república, está-se dentro
do sistema.
— Manuel João Vieira
Os portugueses têm direito sobre tudo… O que eu faria era inscrever na
constituição o direito constitucional dos portugueses à felicidade
— Manuel João Vieira
Se nós embebedarmos todas as pessoas da assembleia da república, e tivermos
microfones para o povo português ouvir tudo o que eles dizem […], teríamos
informações muito mais interessantes do que aqueles discursos que são feitos
na assembleia da república.
— Manuel João Vieira
André Pestana e Manuel João Vieira eram candidatos que gostava que tivessem
debatido a dois com os outros candidatos. Só de pensar na quantidade de pessoas
que talvez até conseguissem as assinaturas, mas que a constituição não foi
comprida como André Pestana disse no início do debate…
André Pestana porque queria ver os debates com candidatos como o António Filipe
e a Catarina Martins, que podem ser de esquerda, mas são do sistema. André
Pestana também é do sistema, e ele está numa candidatura para ser presidente. O
sindicato S.TO.P é apenas um sindicato reformista, parece que com menos
burocracia que as outras, mas do sistema. Eu acho que faz sentido utilizar as
formas legais de luta ao máximo enquanto as temos, mas gostava de saber o que
ele faz, além disso. Ele é revolucionário? Pesquisei e sei o seu percurso
“político”, então sei que ele não é um “anarcho-syndicalist”
(que nem fazia sentido porque um presidente anarquista é um paradoxo). Ele é o
único candidato da “esquerda” que ouvi dizer basicamente que a ação direta dos
trabalhadores têm mais poder que o voto! O PCP pode ser o que “organiza as
lutas”, mas quando os trabalhadores se organizam sem eles parece que eles nunca
estão lá. Ter um presidente que estivesse lá a relembrar que não vai ser ele ou
nenhum político do parlamento, que os trabalhadores são muitos mais que os
capitalistas, e que só organizados coletivamente é que as mudanças que queremos,
acontecem… era de valor.
O Vieira porque os candidatos reacionários merecem perder um debate com ele.
Conheci ele só nestas eleições. Já me tinham dito que ele queria vinho
canalizado e um Ferrai para todos os portugueses. Na minha pesquisa sobre ele
encontrei um álbum dele chamado
“Anatomia do Fado”, com
faixas como “Ser Milionário”, “Ser Fascista” e “Fado Anarquista”. Então a minha
teoria é que ele era um anarquista que estava lá para mostrar a estupidez do
sistema, da “democracia”, das eleições, e dos candidatos.