O lucro da mobilidade
Resumo
As alterações ao SSM são um ataque aos trabalhadores e nada tem de "justiça social". É pura austeridade e exploração dos trabalhadores enquanto quem ganha são os donos das companhias aéreas.
Uma assinatura a uma petição é o mínimo que podemos fazer. É necessária a luta coletiva dos trabalhadores a nível global contra o capitalismo faz de necessidades mercadorias para lucro.
Hoje antes do jantar, partilharam-me este sítio web,
relacionado a supostas novas regras para um Subsídio Social de
Mobilidade (SSM)
mais
justo e mais rápido
comunicado pelo governo na semana passada:
SSM - Natal em família? Só para quem pode.
Gostam muito de
inovação
.
Aliás, começam pela parte boa da digitalização,
plataforma
digital
, e
pedir
o subsídio social de mobilidade logo após a compra da viagem
. No meio,
ignoram quem não tem acesso às plataformas digitais e que depende do serviço dos
CTT, ou quem não tem Cartão de Cidadão porque continua com o Bilhete de
Identidade, ou não sabe usar a Chave Móvel Digital. Falam na sua notícia
que desta vez a ideia é criar
regras
melhoradas e simplificadas, permitindo maior justiça social e coesão
territorial
. Lendo esta carta aberta ao governo, vemos como a
redução do valor que os trabalhadores suportam,
designadamente
baixando-o de 134€ para 119€ para residentes nos Açores e de 86€ para 79€ para
residentes na Madeira
, não ajuda em nada, quando, ao mesmo tempo “inovam”
para
o
beneficiário passar a suportar metade do valor a que estava habituado
,
ignorando que o preço das viagens, nas alturas que elas acontecem (férias,
épocas de pico), ultrapassa quase sempre os 200–300 €. Obrigam o trabalhador a
comprar a viagem de ida e volta ao mesmo tempo, mas isso nem sempre é possível
porque na maioria das vezes, a viagem de volta é incerta, tanto para
trabalhadores, quanto para estudantes. Isto apenas traz
eficiência
para o estado capitalista reduzir as suas despesas na “caridade” aos
trabalhadores, e pôr em belicismo para no futuro obrigar os mesmos trabalhadores
a matarem os trabalhadores de outro país que estão na mesma situação.
Esta não é a única forma que eles arranjam para diminuir as despesas à custa da exploração dos trabalhadores!
A mobilidade é um direito fundamental, devia ser uma garantia e não uma regalia para quem pode.
Querem explorar ainda mais os trabalhadores. Já não basta a coerção laboral, que faz com que muitos tenham que trabalhar longe de casa, e por isso têm a necessidade de ter que comprar viagem em primeiro lugar.
O governo está a tentar esconder a austeridade como um benefício para o cidadão.
Mas mesmo que não seja por questões laborais. Os trabalhadores deviam ter o direito de puder conhecer o seu país facilmente, sem ter que se preocupar com os custos. Se se importam com a cultura, é dessa forma que a conseguem proteger. Não é a espalhar a xenofobia e nacionalismo, a meter a culpa noutros trabalhadores só porque têm uma situação de cidadania e/ou etnia diferente. Aliás, esses trabalhadores sem nacionalidade, têm os mesmos problemas que os trabalhadores e estudantes com nacionalidade; eles merecem também esse direito à mobilidade garantida, em Portugal, na UE e espaço Schengen, no mundo. Não era o que tínhamos antes, e o que querem fazer é mais um passo para trás. E por isso assinar esta petição é o mínimo, e insuficiente.
Enquanto a mobilidade for um lucro para alguns e um prejuízo para a maioria,
enquanto houver bordas que separam os trabalhadores e deixam uma burguesia
controlar um certo território para explorar quem lá está, não haverá
tratamento
igualitário
, isto nunca vai acabar. É necessário organizar-se, pela luta por
uma sociedade onde as necessidades são garantidas a todos, onde as
infraestruturas de transporte são controladas pelos trabalhadores, com a
abolição do capitalismo, que só é possível globalmente.
Leiam a carta aberta e assinem a petição. Mas a
justiça
social
vem de outra forma.