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Publicações – 17 de dezembro de 2025

  1. Debates Eleitorais 2026: Henrique Gouveia e Melo V.S. André Ventura

    Incrível como alguém abertamente xenófobo está em primeiro nas sondagens.

    «Uma tentativa de me silenciar.»

    — André Ventura

    Faz um crime que prejudica muita gente, depois não se responsabiliza.


    «Eu sempre fui de centro.»

    — Henrique Gouveia e Melo

    O PS é social-democrata (centro-direita) já que não querem o comunismo como ponto de chegada. Se ele acha que eles estão mais à esquerda que ele, ele é de direta. Não existe centro. Quer tentar agradar todos.

    «Dizer que Mário Soares é uma referência de presidente, é uma traição às forças armadas, aos retornados, às pessoas que deixaram as ex-colónias, enfim, entregues como nós sabemos, e também não só, a todos os que enriqueceram à volta do estado.»

    — André Ventura

    «[O Mário Soares e o General Ramalho Eanes] são referências do início da nossa democracia, sem eles nós não teríamos esta democracia, e sem eles, se calhar teríamos um regime comunista de extrema-esquerda e se calhar o Dr. André Ventura não poderia estar aqui…»

    — Henrique Gouveia e Melo

    Era para o Ventura não estar aqui? Afinal, o comunismo parece bom, então. Mandem-no para os gulags. Ou afinal o almirante quer o Ventura aqui?

    Mário Soares e Ramalho Eanes respresentam o fim da real democracia, aqueles que cederam o poder aos imperialistas da NATO e UE.

    «O que eu acho é que Gouveia e Melo quer agradar a toda a gente, e não agrada a ninguém.»

    — André Ventura, o cata-vento

    Se é para agradar quem vive em Portugal, o caminho tem que se fazer com a esquerda, porque a maioria das pessoas são de esquerda sistematicamente.

    «Estar posicionado ao centro é naturalmente difícil.» — Henrique Gouveia e Melo

    Olha a situação complicada do Melo. Idêntica ou pior que a situação da maioria dos portugueses.


    Próximo assunto: Episódio homoerótico do almoço entre os candidatos (patrocinado por Mário Ferreira, cupido do capital).

    «O Dr. André Ventura é uma pessoa importante no espectro político português.»

    — Henrique Gouveia e Melo

    O coração de Melo já não aguentava. «Naturalmente» ele tinha de conhecer este ator político «relevante». Para ele, Ventura «não é um indivíduo que seja perigoso», pelo contrário, a presença dele era irresistível.

    Foi então que Mário Ferreira, o empresário-cupido, que provavelmente tem ambos a defender os seus interesses burgueses (facilitar a exploração dos trabalhadores), conseguiu marcar o jantar privado tão esperado por Melo. O almirante bem-queria que o jantar tivesse sido secreto, para que não o vissem rendido pelo fascínio que tem por Ventura e as suas ideologias fascizantes.

    «Eu almoço, […], com quem quiser.»

    — Henrique Gouveia e Melo

    E quis.

    Diante dele, Ventura. Uma tensão política, um duelo de egos. Para Melo, nada o poderia impedir de conhecer o seu amor proibido.

    Na sua fantasia, ele já se via “contaminado” por Ventura: o primeiro-ministro criador de leis inconstitucionais e o presidente fiel, a promulgar cada desejo.

    Mas a paixão política é cruel.

    «O Dr. André Ventura está aqui a lutar contra mim.»

    — Henrique Gouveia e Melo

    Clássico enredo bully to lover.

    Ventura multiplica encontros, coleciona políticos. Mas só Melo o faz duvidar da sua própria fandom (os “portugueses”).

    «Eu percebi que os portugueses queriam outra coisa que não era o candidato Gouveia e Melo»

    — André Ventura

    Ferido, Melo responde: «eu não sou candidato do partido socialista, eu sou candidato de um partido chamado Portugal», o mesmo que Ventura sonha dominar.


    O Ventura fala muito, mas com a quantidade de mal que ele causa a quem vive em Portugal, no mundo dele, ele perderia a nacionalidade.

    Do jeito como eu odeio estados, incluindo Portugal, e que eles não valem nada (quem vale são os trabalhadores que lá vivem); que o hino é nacionalista e colonialista e por isso não presta; que a bandeira representa uma república que nunca esteve no lado certo da história e por isso não devemos ter orgulho nela; espero que não me tirem a nacionalidade também, dá-me jeito.

    Eu compraria papel-higiénico da bandeira portuguesa. Mas só uma vez para o fun, porque provavelmente seria mais caro (ou não).

    Um imigrante ao fim de 10 anos é o mesmo que ele já era quando entrou no país: o mesmo que um português. Sempre foi e sempre será o mesmo.

    Nacionalidades, junto com os estados, bordas e retóricas nacionalistas, apenas servem para proteger os interesses da burguesia. São más para as pessoas, porque as dividem quando sofrem todas o mesmo e querem todos o mesmo: uma vida digna, melhores condições de trabalho, necessidades humanas garantidas.

    Se as nacionalidades não existissem, não estariam à venda. Mas o capitalismo transforma tudo numa mercadoria.

    Nesta matéria, Melo esteve melhor claramente.

    No final, pensei que houvesse talvez um mau entendimento quando ele disse que «temos de mudar a constituição». Ventura abordava de coisas que acontecem noutros países e depois pergunta porque que nós não podemos fazer o que eles fazem se podem. Eu interpretei a resposta não como ele achando que a constituição tem que ser mudada e só apenas ele a dizer o que teria que ser feito para Ventura ter o que quer. No final ele disse que só o artigo n.º 288 é que acha que não deve ser mudado.

  2. Debates Eleitorais 2026: António Filipe V.S. André Ventura

    «Aliás. Se eu lho perguntasse um exemplo de um país comunista em que os salários sejam altos, […], não têm nenhum. […] todos os países comunistas as pessoas querem sair de lá.»

    No comunismo, não existe dinheiro, e então não existem salários, pelo menos da forma que conhecemos hoje.1 Como já não terias os patrões e burguesia (deixa de existir classes), amigos do Chega, todo o valor que os trabalhadores geram fica entre eles. «De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades».2 Olha, é o que quem vota no Chega quer, mas não é o que o Chega vai dar apesar de tudo o que eles dizem: se não trabalhas, mas consegues, não recebes nada. Outra coisa interessante sobre o comunismo, é que ele não acontece num só país. «Proletários de todos os países, uni-vos!».3 O comunismo é para ser universal.4

    O problema são partidos como o PCP com “comunismo” no nome sem serem comunistas de verdade (debatível). Falam muito em “patriotismo” e pouco em internacionalismo. Deixaram a revolução para os reformismos e o parlamentarismo burguês, tornando-os parte do sistema capitalista. Só vou conseguir levar o PCP como marxistas-leninistas de verdade quando eles deixarem de participar em eleições e começarem a organizar e educar a classe trabalhadora de verdade, a caminho de uma revolução internacionalista, ao invés de se preocuparem com votos para depois, mesmo que eles tenham peso no parlamento ou consigam fazer governo, terem a constituição e a União Europeia como barreiras para certos reformismos. Entretanto, podem trocar o nome para Partido Democrático Avançado. Mas tirem o comunismo do nome se não é para representar o comunismo, e é para ajudar partidos reacionários como o Chega a dar ideias falsas do que realmente é o comunismo. Okay, também não era preciso deixarem de ser parlamentaristas, mas se educassem a classe trabalhadora direito, talvez muita gente (incluindo quem vota Chega agora) iriam chegar à conclusão de que são marxistas afinal e que o comunismo não é pior do que o que temos agora, nem mau de todo. Depois podiam entender que todos os partidos são sistema, e que só eles como classe podem fazer a mudança. Por que não o fazem? Talvez seja de propósito porque têm também os seus interesses capitalistas que querem defender, populistas de esquerda. Mas obviamente preferia que ninguém votasse na direita, especialmente reacionária, e não sinto que o PCP está a se esforçar para isso.

    Mas para acabar, estado/país comunista é um paradoxo, não existem. Ele deve estar a se referir a países com partidos no poder que têm “comunismo” ou “socialismo” no nome ou como ideologia autoproclamada. Vamos ver quem são/foram as pessoas que saem/quiseram sair de lá. Fascistas, Nazistas, Burgueses, gente do pior. Isso é mau?


    Outra vez a mesma retórica da Angola.


    O Ventura é mesmo esquisito, gosta de pensar em pessoas a matarem-se umas às outras ao ponto de ter preferência entre qual pessoa é que deve morrer, ao invés de pensar como se faz para ninguém morrer. Matar é matar, ninguém devia ter a autoridade na vida de outra pessoa a todos os níveis, incluindo o de acabar com essa vida. Se alguém tem medo de ser autoritário, então estamos num bom caminho.

    Aliás, no final, Ventura ainda simpatiza com o fascista Bukele (diminuição das cadeiras no parlamento, reeleições infinitas), por prender a mão de obra da competição do estado burguês, com a retórica de ser uma “questão de segurança”.

    Footnotes

    1. https://pt.wikipedia.org/wiki/Comunismo

    2. https://pt.wikipedia.org/wiki/De_cada_qual,_segundo_sua_capacidade;_a_cada_qual,_segundo_suas_necessidades

    3. https://pt.wikipedia.org/wiki/Prolet%C3%A1rios_de_todos_os_pa%C3%ADses,_uni-vos!

    4. https://pt.wikipedia.org/wiki/Socialismo_em_um_s%C3%B3_pa%C3%ADs#Karl_Marx_e_Friedrich_Engels